Como Escolher e Organizar as Atividades de Ensino
O problema:O professor tradicional é um homem feliz: não tem problema de escolher entre as várias atividades possíveis para ensinar um assunto. Como para ele a única atividade válida é a exposição oral ou preleção, não perde tempo procurando alternativas.Para o professor moderno, entretanto, a escolha adequada das atividades de ensino é uma etapa importante de sua profissão.Podem aparecer diversos tipos de problemas na seleção de atividades de ensino:O professor carece de critérios que o orientem na escolha.O professor não conhece as possibilidades e limitações dos diversos tipos de atividades de ensino.Um problema generalizado é que os professores possuem um número muito reduzido de técnicas em seu repertório didático.Há também aqui o problema do tempo.Às vezes, circunstâncias alheias a vontade do professor impossibilitam uma escolha racional de atividades.
Referência Bibliográfica:
BORDENAVE, J.D; PEREIRA, A. M. Estratégia de Ensino-Aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1994.
As transformações da Geografia no Brasil
Pesquisa, Ensino e formação do professor.O texto mostra as transformações da Geografia no Brasil, e o desenvolvimento na pesquisa, ensino e formação do professor.A fundação da Faculdade de Filosofia da USP, em 1934 e do Departamento de Geografia, em 1946, teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência geográfica do país.Antes da fundação da USP, não existia no país o bacharel e professor licenciado em Geografia, eram professores de Geografia acadêmicos de Direito, engenheiro,médicos e seminaristas.A Geografia surgiu como auxiliar da História. Desenvolveu-se com o crescimento da produção científica baseada em trabalhos de campo, realizados junto com os estudantes, acoplados à literatura geográfica de origem francesa ou alemã. Já em 1942 existiam três cátedras no curso: Geografia Humana, Geografia Física e Geografia do Brasil.Em 1957, o curso de História e Geografia da USP passou a ser subdividido em dois, podendo optar por História ou Geografia.Para o ensino médio o Boletim Geográfico, com distribuição por todo o território nacional, através das Agências e Delegacias do IBGE, sendo um dos primeiros a se preocupar com Ensino de Geografia.Para compreender o que os professores franceses trouxeram para o Brasil com a Geografia, era necessário entender em termos de estudos geográfico o que acontecia na Europa no século XIX.Para Friedrich Ratzel, antropólogo alemão, responsável pela propagação das idéias deterministas que consideravam a grande influência do meio natural sobre o homem. Durante o século XIX a discussão da Geografia na Europa, concentrou-se na Alemanha, mas no final deste mesmo século o pensamento geográfico encontrou o seu espaço.Vidal de La Blache fundou a escola francesa e deslocou o eixo da discussão geográfica da Alemanha para França. Realizando a crítica a Geografia determinista de Ratzel e criou o possibilismo, onde a Geografia deveria estudar a relação homem-natureza na perspectiva da paisagem.No Brasil na década de 70, tiveram expressão em trabalhos realizados pela Fundação IBGE.A Geografia teórica-quantitativas, explicava a realidade social, de modelos originários da ciência física e biológica, numa perspectiva funcional.Esta Geografia teorética não teve repercussão nas escolas de 1º e 2º graus, no entanto, medidas ligadas à política educacional no país, que vivia em regime militar, onde os livros de Geografia eram desviados, empobrecidos em seu conteúdo, desvinculados da realidade então vivida e ainda mais descaracterizada pelas propostas de Estudos Sociais.
Bibliografia:PONTUSCHUKA, N.N. A Formação Pedagógica do Professor de Geografia e as Práticas Inter-disciplinares. São Paulo, 1994. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade de Educação da USP.
A Geografia na escola
A implantação da escola pública como instituição objetivando a proliferação dos conhecimentos adquiridos nas diferentes áreas das ciências aconteceu nos fins da crise do feudalismo, quando a nova classe em ascensão, a burguesia beneficiar-se-ia totalmente de tal feito, já que a escola seria o método mais fácil de atingir os homens e espalhar a ideologia capitalista dos burgueses provocando uma reação em cadeia.
Mas a escola é realmente consolidada nos meados do século XIX com a consolidação do Estado nacional e a hegemonia da classe burguesa. Logo na sua criação, as disciplinas implementadas nas escolas foram a História (ligada ao tempo), Geografia (ligada à paisagem, lugar, descrição destes) e a Língua Nacional. Também, teve as outras ciências como Biologia, Matemática e Física.
O texto tem uma grande preocupação em relação ao ensino de Geografia nas escolas que é extremamente deturpado devido à política do Estado. Ignora-se totalmente a dinâmica social recorrente no território focalizando apenas às formas físicas e as paisagens. Coloca-se o homem como mais um elemento desse espaço geográfico, esquecendo que ele tem grande influencia e interferência no mesmo. O ensino da Geografia acaba excluindo o próprio aluno do espaço como aponta o texto ignorando o fato de que ele compõe a estrutura social que está sobre o espaço físico que tem exclusividade nos estudos.
A partir daí, torna-se preocupação como aponta o autor do texto, elucidar as pessoas sobre o real objetivo e objeto de estudo da Geografia.
Resgata-se, então, a utilização da “verdadeira” Geografia na Alemanha do século XIX, onde sua ferramenta principal era na utilização de estratégias de guerra utilizado pelos chefes de estado e militares, Na Alemanha, especificamente na Prússia, a escolarização foi obrigatória no século XIX e as conseqüências da alfabetização da população foi positivamente vista quando a Alemanha venceu a guerra contra a Alemanha demonstrando a hegemonia do país com uma taxa de analfabetismo que chegou a ser inferior a 10%. Foi a partir disso, após a derrota da França, que este também modificou seu sistema educacional.
A partir daí, os centros universitários iniciaram o recrutamento de professores de Geografia para os ensinos fundamental e médio nas escolas, mas ainda focalizando ao aspecto e estudo do físico. A primeira Universidade criada na Alemanha que tinha o curso superior de Geografia foi a Universidade de Berlim. Grandes estudiosos da geografia destacaram-se na época como Ritter, que foi o primeiro professor da disciplina, na Universidade alemã.
O autor finaliza-se questionando o porque da Geografia ainda existir nos currículos escolares, já que ignora totalmente os estudos sociais e geopolíticos que a Geografia é capaz de produzir, e ele afirma que a perspectiva é mostrar que a Geografia estuda o homem fazendo a história e estabelecendo-se assim a relação da natureza e o homem, e o homem com a natureza.
FONTES, R.M.P.do A. Da Geografia que se Ensina à Gênese da Geografia Moderna. Florianópolis:UFSC,1989.
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